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Terapia: Os 8 Maiores Mitos e o que a Realidade Diz

Saúde Mental em Portugal9 min de leitura

"A terapia é para pessoas loucas." "Só falam de infância." "Não funciona para mim." Estes mitos mantêm pessoas afastadas de algo que poderia ajudá-las. Vamos desmontar um a um.

Em Portugal, apenas 3 por cento das pessoas com problemas de saúde mental reportados faz terapia, apesar de 36 por cento reportar ter esses problemas. Esta lacuna enorme entre necessidade e procura tem várias causas, e os mitos sobre o que é a terapia são uma parte significativa delas.

Este artigo desconstrói os mais comuns.

Mito 1: "A terapia é para pessoas com problemas graves"

Realidade: A terapia é útil num espectro muito mais amplo do que a crise. Pode ser útil para compreender melhor padrões de comportamento, para atravessar transições difíceis, para melhorar relacionamentos, para desenvolver competências de regulação emocional, ou simplesmente para ter um espaço de reflexão regular. Não precisas de uma diagnose para beneficiar de terapia.

Mito 2: "Na terapia só se fala da infância"

Realidade: Depende do tipo de terapia e do terapeuta. A psicanálise tem um foco maior na história pessoal. A CBT é muito orientada para o presente: os pensamentos e comportamentos atuais. A terapia ACT foca nos valores e na vida presente. Há muitas abordagens, e o trabalho sobre a infância acontece quando é relevante para o que o cliente está a trabalhar, não como regra universal.

Mito 3: "Ter de falar com um estranho sobre problemas pessoais é estranho"

Realidade: Falar com alguém que não faz parte da tua vida cria uma liberdade que a conversa com pessoas próximas não tem. Não há história partilhada que condicione o que podes dizer. Não há preocupação de magoar ou de ser julgado socialmente. Esta "estranheza" do terapeuta é precisamente o que torna o espaço terapêutico diferente de qualquer outra conversa.

Mito 4: "A terapia dura para sempre e cria dependência"

Realidade: A duração da terapia varia com o que está a ser trabalhado. Muitas pessoas têm processos terapêuticos de 3 a 6 meses para questões específicas, com resultados claros e fim acordado. Outras têm processos mais longos para trabalho mais profundo. O objetivo de qualquer bom terapeuta é criar progressivamente mais autonomia no cliente, não dependência.

Mito 5: "Se fossem mesmo bons psicólogos estavam todos no privado"

Realidade: Muitos excelentes psicólogos trabalham no SNS, em clínicas universitárias, ou em IPSS por escolha e por vocação. A qualidade do profissional não está correlacionada com o preço da consulta.

Mito 6: "A terapia é só para quem quer falar muito"

Realidade: Há abordagens terapêuticas que são predominantemente verbais e outras que não o são. EMDR, Somatic Experiencing, e outras abordagens focadas no corpo são menos verbais. Há também terapias de arte, de movimento, e outras modalidades. E dentro das terapias verbais, o trabalho não é necessariamente falar muito: às vezes é aprender a sentar com o silêncio, ou a trabalhar uma coisa pequena em profundidade.

Mito 7: "Não posso pagar, por isso a terapia não é para mim"

Realidade: Como descrito no artigo sobre recursos, há várias opções de acesso a psicologia a custo zero ou reduzido em Portugal: SNS, clínicas universitárias, plataformas online, e IPSS. O custo é uma barreira real mas não é absoluta.

Mito 8: "Já tentei e não funcionou"

Realidade: A relação com o terapeuta específico é um dos maiores preditores de eficácia. Não funcionar com um terapeuta não significa que a terapia não funciona para ti. Significa que aquele não era o terapeuta ou a abordagem certa. Encontrar um profissional com quem te sintas genuinamente à vontade e que use uma abordagem adequada ao que precisas pode fazer a diferença.

Próximo passo

Escolhe o teu próximo passo para cuidar da tua saúde mental.

A AcalmaMe não substitui acompanhamento profissional de saúde mental. Em caso de crise, contacta a Linha de Apoio à Saúde Mental: 808 24 24 24 (gratuita, disponível 24 horas).